Marabá
Morte de jovem mãe após parto em Marabá gera questionamentos sobre atendimento médico
A morte de Nilciane Alves da Silva, de 33 anos, ocorrida na madrugada de segunda-feira (9), no Hospital Municipal de Marabá (HMM), está gerando grande repercussão e levantando questionamentos sobre o atendimento prestado na rede pública de saúde do município.
Nilciane havia dado à luz poucos dias antes no Hospital Materno Infantil de Marabá (HMI). Segundo familiares, após receber alta, ela começou a apresentar sintomas preocupantes e procurou atendimento médico várias vezes na unidade.
A jovem mãe deixa uma bebê de apenas 18 dias de vida, que agora deverá ser criada por familiares.
Família relata que mulher buscou atendimento várias vezes
De acordo com a irmã da vítima, Nilcejanes de Paula, em entrevista à TV Correio SBT, Nilciane voltou ao Hospital Materno Infantil diversas vezes após o parto porque não estava se sentindo bem.
Segundo o relato da família, ela teria procurado atendimento quatro vezes na unidade.
Ainda conforme os familiares, durante os atendimentos a paciente recebeu apenas medicação para dor, como Ibuprofeno, sem que fossem solicitados exames para investigar a causa dos sintomas.
De acordo com os parentes, os profissionais teriam atribuído as dores a questões posturais, afirmando que ela poderia estar “dormindo de mau jeito”.
Estado de saúde piorou
Com o passar dos dias, o estado de saúde de Nilciane se agravou. Ela passou a sentir fortes dores nas costas e também apresentou vômitos e expectoração com sangue, o que aumentou ainda mais a preocupação da família.
Na noite de segunda-feira, diante da piora do quadro e sem respostas no Materno Infantil, os familiares decidiram levá-la ao Hospital Municipal de Marabá.
Segundo os relatos, quando ela chegou à unidade hospitalar seu estado de saúde já era considerado extremamente grave.
Tentativa de salvar a paciente
A equipe médica realizou procedimentos de emergência, incluindo tentativa de intubação, mas Nilciane sofreu parada cardíaca e acabou não resistindo.
Após o falecimento, a família foi informada de que a paciente estava com pneumonia, diagnóstico que, segundo os parentes, nunca havia sido apontado durante os atendimentos anteriores.
Abalada, a irmã da vítima questionou o atendimento prestado.
“Se tivessem investigado, se tivessem feito pelo menos um exame, a gente teria descoberto o que ela tinha. Poderia ter iniciado antibiótico. Não precisava chegar a esse ponto”, desabafou.
Família pede investigação
O caso gerou revolta entre familiares e conhecidos, que pedem que a situação seja investigada pelas autoridades competentes.
Para os parentes, é importante que todas as circunstâncias sejam esclarecidas e que eventuais responsabilidades sejam apuradas.
Enquanto isso, fica a dor da perda de uma filha, irmã e mãe — e a história de uma bebê que mal começou a vida e já terá que crescer sem o abraço da mulher que lhe deu à luz.
Nota da Secretaria de Saúde de Marabá
Após a repercussão do caso, a Secretaria Municipal de Saúde de Marabá divulgou uma nota de esclarecimento.
Segundo o comunicado, Nilciane procurou o Hospital Materno Infantil no dia 16 de fevereiro, com suspeita de perda de líquido amniótico. Após avaliação médica, a situação não foi confirmada e mãe e bebê estavam em boas condições.
No dia 17 de fevereiro, a paciente retornou à unidade com a mesma queixa. Após nova avaliação, foi confirmada a perda de líquido, sendo indicada a internação.
Como não houve evolução para trabalho de parto, foi realizada cesariana no mesmo dia, sem intercorrências, com evolução satisfatória da mãe e do recém-nascido.
De acordo com a Secretaria, mãe e bebê receberam alta hospitalar em boas condições.
Ainda conforme a nota, no 8º dia após a cirurgia, a paciente voltou à unidade com queixa de dores lombares e em membros, sem febre ou sinais relacionados ao parto ou à cirurgia, sendo avaliada pela equipe médica.
Posteriormente, no dia 8 de março, às 23h51, cerca de 20 dias após a cesariana, Nilciane deu entrada no Hospital Municipal de Marabá com quadro de dor lombar, palidez e hipotensão.
Ela recebeu atendimento imediato e realizou tomografias, que indicaram pneumonia, além de aumento do fígado e do baço.
A paciente evoluiu com insuficiência respiratória, sendo submetida à intubação orotraqueal, mas apresentou paradas cardiorrespiratórias e não respondeu às manobras de reanimação, vindo a óbito às 4h10 do dia 9 de março de 2026.
Segundo a Secretaria de Saúde, a causa da morte foi pneumonia comunitária e, até o momento, não há evidências médicas que indiquem relação entre a cesariana e o quadro que levou ao falecimento.
A Secretaria Municipal de Saúde e a direção do Hospital Materno Infantil também manifestaram solidariedade à família e afirmaram permanecer à disposição para prestar esclarecimentos.